Uma das capitais mundiais da moda, Milão é acostumada a ditar tendências. Nas ruas, vitrines das grifes mais luxuosas apontam o que as pessoas vão vestir na próxima estação, enquanto no San Siro nomes como Baresi e Maldini estiveram, ao longo de décadas, em voga na arte de defender no futebol. Nos dias atuais, um brasileiro une as duas paixões milaneses: Thiago Silva. Se em campo o Monstro, como também já é chamado na Itália, dá sequência a dinastia rossonera, como melhor zagueiro do último Calcio, fora dele a camisa 33 se tornou fashion e divide espaço com Bennetons, Armanis e Dolce & Gabbanas.Nesta quarta-feira, às 17h45m (de Brasília), Thiago Silva tem desfile marcado em Milão. E com concorrência de peso pelos holofotes. Enquanto Milan e Barcelona se enfrentam pela quinta rodada da Liga dos Campeões da Europa, em partida que vale a liderança do Grupo H, o brasileiro tem pela frente um desafio de parar aquele que está acostumado a costurar defesas: Lionel Messi. Missão complicada, mas capaz de fazer com que ele passe a determinar estilos também mundo afora.
Minha última partida como profissional tem que ser com a camisa do Flu"
Thiago Silva
– Parar o Messi é muito difícil. É complicado enfrentar um jogador habilidoso e rápido. Geralmente, o cara tem uma ou outra qualidade. Não há um estudo certo. Todo jogo tem uma coisa diferente. Isso dificulta demais para o defensor. É mais coisa do momento. Tem que tomar a decisão na hora, e, quando ele vier para cima, fazer o sinal da cruz e rezar para que tudo dê certo.
E fazer as coisas darem certo é algo que Thiago se acostumou a fazer na Itália. Após uma primeira passagem frustrada pela Europa, quando pouco entrou em campo Porto e Dínamo de Moscou, o zagueiro encontrou no Milan o seu lugar. Já a sua casa fica um pouco mais ao norte do país, na pequena e aconchegante Como. E foi lá, no grandioso imóvel que aluga do amigo Adriano, que ele recebeu a reportagem do GLOBOESPORTE.COM para um longo bate-papo.
O sucesso imediato no Milan, o dia a dia na Itália, o assédio do Barcelona, a amizade com o recém-operado Cassano, a ausência na lista dos melhores da Fifa e a admiração pelo “fenômeno” Neymar entraram em pauta. Thiago Silva aproveitou ainda para reafirmar sua paixão pelo Fluminense e mandar um recado para o torcedor tricolor:
– Minha última partida como profissional tem que ser com a camisa do Flu. Na minha despedida, a torcida gritou “Thiago vai voltar”. Espero cumprir esse pedido.
Confira a entrevista completa abaixo:
GLOBOESPORTE.COM: É normal jogador brasileiro reclamar de dificuldade de adaptação, problemas extracampo e demorar um tempo para dar certo na Europa. Você é um caso raro de quem já chegou se destacando, em uma posição que é referência na Itália e em um grande clube. Três anos mais experiente, você saberia dizer o que fez tanta diferença a seu favor?
THIAGO SILVA: O diferencial para que eu chegasse bem foram os meus primeiros seis meses, quando fiquei sem jogar por não ter lugar para estrangeiro. Fiquei só treinando, acompanhando o Milan onde quer que fosse, e isso ajudou bastante. Quando comecei a jogar oficialmente, já estava adaptado, com tempo de treinamento... O que eu lamento é o fato de só ter treinado com o Maldini. Era um cara que eu admirava bastante e não tive a oportunidade de jogar uma partida oficial com ele por conta da aposentadoria. Só não gostei disso.







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